A década de 60 foi marcada pelo lema paz e amor e pela onda de otimismo, de que o mundo ainda tinha salvação. Mas o sol não brilhava para todos, muito menos para um grupo de Nova Iorque chamado Velvet Underground. Com o seu álbum de estréia, eles fizeram um contraponto sombrio e gelado ao som ensolarado que vinha da costa oeste do Estados Unidos. O som distorce, arranha, tem pouca nitidez e às vezes soa como algo desagradável.
O líder do grupo, Lou Reed, descarrega toda a sua sabedoria adquirida nas ruas em suas letras. A faixa “Venus in Furs”, que mais parece uma marcha fúnebre, apresenta o sadomasoquismo de maneira primorosa, acompanhada de estalos e chicotadas da guitarra de John Cale. Por outro lado, temos “Heroin”, que retrata as drogas como uma alternativa para amenizar a dor. ”All Tomorrow Parties” era uma ode aos fracassados da elite de Nova York. Na época, ninguém entendeu muito bem a proposta do Velvet, acharam que era um golpe do criador da capa e artista da pop art, Andy Warhol. A crítica odiou na época e as rádios sequer tocavam musicas do álbum. Nem por isso, este álbum deixou de influenciar o rock, bandas como Joy Division e Nirvana diziam aos quatro ventos a importância de ter ouvido esse disco e de ter montado uma banda por causa dele. O Velvet Underground com esse álbum deixou claro uma coisa: o rock não era somente rebeldia adolescente, ele podia muito bem tratar de temas adultos e complexos. Além disso, vale sempre lembrar, que nem sempre o sol é para todos.
Selo/Verve
Produção/Andy Warhol*Tom Wilson
Projeto Gráfico/Andy Warhol
Nacionalidade/EUA
Duração/48:34

Leandro Ferreira é fã de música pop e tudo o que rola nas pistas desde os nove anos. Apesar disso ouve de tudo um pouco e tenta sempre ter a mente aberta para todo tipo de música.
Valter Ribeiro é fã do bom e velho rock e desde pequeno sabe apreciare e entender todos os instrumentos que compõem uma banda de verdade.
Ambos são estudantes de jornalismo da Universidade Mackenzie de São Paulo.


